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Gado de Leite: Setor corre acelerado para crescer

O Leite do Brasil continua tendo muito potencial.

Nosso país é o quinto maior produtor mundial, mas hoje atende basicamente o mercado interno.

No entanto, de acordo com o chefe-geral da Embrapa Gado de Leite, Paulo do Carmo Martins, nos últimos 20 anos, o setor passou por uma grande revolução, investindo no aumento da qualidade e da produtividade.

E são várias as boas notícias que têm contribuído para isso.

Uma delas é o custo.

 

De janeiro a junho deste ano, o custo operacional total por litro de leite recuou de R$ 1,05 para R$ 0,97.

Só de maio para junho, o custo recuou 2,8%, de acordo com dados do Projeto Campo Futuro, da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) em parceria com o Centro de Estudos em Economia Aplicada (Cepea).

A retração se deve de acordo com analistas da área a queda nas cotações do milho e da soja, fontes suplementares e essenciais para os animais.

O concentrado representa de 30% a 40% do custo operacional total de uma propriedade de pecuária leiteira em um sistema padrão de produção, por isso, obviamente, a dependência é muito grande em propriedades de maior produção, e a queda é de suma importância.

 

Para se ter ideia, a produção tem variado de 25 a 40 litros por animal/dia, em animais de confinamento.

Os especialistas são enfáticos em dizer que, em algumas regiões do Brasil, o clima foi também um aliado, já que a chuva chegou em boa hora, e o pecuarista ampliou o período de alimentação”.

O produtor conseguiu prolongar até o final de maio esse alimento e pode passar a utilizar a silagem em junho.

Desta forma, ganhou um fôlego de um mês.

 

A silagem de milho, de cana-de-açúcar corrigida com ureia e de capim picado são as mais utilizadas e aumentam o custo de produção”, afirma o chefe geral da Embrapa.

A pecuária leiteira precisa avançar para acompanhar o desenvolvimento de outros setores que, além de abastecerem o mercado interno, também exportam, como é o caso da carne, do café e do setor sucroalcooleiro.

 

“Promover a aproximação do setor leiteiro com o meio acadêmico e as entidades de pesquisa é uma das formas de conhecer o que há de novo no mercado e implantar nas fazendas”, disse o presidente da Comissão Nacional de Leite da CNA (Confederação da Agricultura do Brasil), Rodrigo Alvim, num evento exclusivo do setor em Minas Gerais.

Em palestra, ele disse que o Brasil precisa repensar a produção primária do leite e abordou temas atuais e de futuro, incluindo a nanotecnologia, a transformação dos resíduos – que sempre foram um problema nas fazendas – em produtos e também a sucessão familiar que é um grande desafio do setor.

As inovações chegam rápido. Além de medicamentos que têm a possibilidade de serem produzidos com doses menores e ação ágil e que contribuem para a cura do animal, reduzindo os efeitos colaterais, os pesquisadores da Embrapa afirmam que é preciso reaproveitar mais os resíduos.

 

Para Marcelo Otênio, “com a instalação de biodigestores, é possível reaproveitar os resíduos e promover a transformação dos mesmos em produtos, como o biogás e os biofertilizantes.

Além do sistema ser sustentável e contribuir para a preservação do meio ambiente, o biofertilizante reduz o uso de químicos na produção agrícola, seja de capim, cana-de-açúcar ou milho, gerando economia e favorecendo uma produção mais competitiva”.

Quanto à tecnologia, o pecuarista tem agregado praticidade e sustentabilidade na hora de alimentar os animais.

 

Menos Custos na Criação de Gado de Leite

Antes, os cochos eram feitos de lata ou cimento, o que encarecia muito.

Mas, hoje, muitos já contam com os Cocho Bag, um produto, com costura reforçada, que segue as normas da ABNT (Associação Brasileira de Normas e Técnicas).

Ele é fabricado em tecido 100% virgem de polipropileno e polietileno e tratado contra raios ultravioleta.

Criadores de gado, caprinos e ovinos têm optado por essa alternativa, até porque os tamanhos de 5, 10, 15 e 20 metros são ajustáveis à necessidade de cada um.

 

“A ReciclaBag investe forte na fabricação dos Cochos Bag, porque como os nossos clientes, acredita que as inovações tecnológicas sustentáveis têm provado que respeito ao meio ambiente pode sim andar de mãos dadas com produção e lucratividade”, afirma, confiante, Douglas Fonseca de Oliveira, sócio proprietário da empresa.

 

Como exemplo, temos grandes empresas de laticínio que tem utilizado o cocho sustentável para alavancar os negócios.

É o caso da Coopnoroeste, localizada em Araputanga, no Noroeste do Estado.

A cooperativa foi fundada em 1975 e, desde então, tem feito inúmeros investimentos no setor de laticínio, contando hoje com umas das maiores fabricantes do país, a Lacbom, tornando a região na principal produtora de leite de Mato Grosso.

 

Danilo Souza da Silva, coordenador de agropecuária da Coopnoroeste, afirma que “a atividade vem sofrendo vários impactos e tem forçado o pecuarista a buscar novas alternativas para baixar os custos”.

 

E completa: “Já trabalhamos com o cocho bag há um bom tempo na região de Araputanga, porque ele proporciona facilidade no manejo e um ótimo custo benefício; hoje, temos mais de 160 cochos no pasto”.

O IMEA (Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária), analisando a variação acumulada do preço do leite de janeiro a maio de 2017, aponta que, embora a valorização tenha vindo em boa hora, o reajuste foi de apenas 5%, enquanto no mesmo período do ano passado foi de 22,3%, em termos reais.

 

“Esse cenário deixa explícito o momento atual da cadeia: de um lado não há oferta abundante no mercado e de outro a demanda estagnada pelo consumidor final dificulta melhores preços.

Logo, caso a demanda não reaja, isto pode vir a ser um fator limitante para maiores valorizações no preço da matéria-prima durante entressafra”, alerta o instituto.

 

Por isso, em evento no Estado de Minas Gerais recentemente, o ministro interino da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), Eumar Novacki, falou do plano “Agro +”, que tem entre os objetivos desburocratizar as ações do setor agrícola nacional e investir em cadeias produtivas com potencial de crescimento.

 

Com isso, o MAPA pretende aumentar a participação da agricultura brasileira no mercado internacional de 7% para 10% em cinco anos.

De que forma o Brasil chegará a esse patamar?

Para Marcelo Augusto Coutinho, sócio proprietário da ReciclaBag, não há dúvida de que pelo poder criativo do brasileiro que aposta nas alternativas inovadoras, capazes de aliar redução de custos com sustentabilidade e produtividade.

No entanto, o empresário ressalta a importância de o setor se mobilizar e exigir do governo federal investimentos em políticas públicas.